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segunda-feira, 31 de março de 2014

Aokigahara

(Obra de Tato Akhalkatsishvili, https://artdoxa.com/tato/large?page=1)
No final das contas, todo mundo morre sozinho. E nesse derradeiro ato não há nada que alguém possa fazer.
Em vida, a solidão contínua... a sociedade... a exigência de ser a cada momento uma coisa que não se é... a sociedade... o desejo de ser o que lhe é incompatível... a sociedade... uma rede que aprisiona, que envolve em um emaranhado de bytes alheios... e envenena... e digere e consome o que ainda resta de si mesmo... 
Não... morrer sozinho é o de menos... viver sozinho é que mata. A mais completa ausência de possibilidade de compreensão. O esvaziamento da comunicação. Estado Vegetativo. 
Não como os vegetais. As plantas vivem perfeitamente, entendem os nutrientes que absorvem da terra, entendem os raio solares incidindo em suas folhas, entendem as estações do ano, entendem o ambiente que as rodeiam. Nasceram para isso e viveram para isso. São felizes porque não precisam pensar que são plantas.
Nunca houve tanta comunicação e interação entre as pessoas. E quanto maior a proximidade, mais catastróficas serão as consequências. Manuais de suicídio se tornarão best-sellers? Acho que já o são, disponibilizados na rede para quem quiser ler. Não precisam ser vendidos em livrarias.
Uma bola  de bilhar jamais servirá como um dado. Mesmo assim, a sorte é lançada, sem qualquer resultado. O ambiente esmaga e empurra e bate. A bola de bilhar não consegue chegar a um ponto de estabilidade e se choca violentamente com o que estiver ao seu redor e se quebra. Jogo perdido, game over para você.
Enquanto isso, as plantas são as plantas.
A exuberância de uma floresta silenciosa, fechada e com um verde intenso não deveria ser um local de suicídio. E sim um local de paz,  que conduzisse o espírito a um estado de felicidade nunca alcançado. Mas, para morrer também é necessário estar preparado, talvez esse seja o Éden para a morte.
Uma pessoa sem potencial. Em um primeiro entendimento, uma pessoa que não conseguirá nada da vida e não será nada, será um pária, alguém para ser esquecido, um insignificante. 
Mas, o potencial exigido para conseguir uma coisa que não vem da vontade, ser uma coisa que negue a si próprio, ser reconhecido por fazer algo que não tem mérito algum, ser lembrado  por quem nunca o conheceu de fato... isso é ter potencial? É esse potencial que está levando tantas pessoas a cometerem o suicídio?
Enquanto isso, as plantas são as plantas. E são felizes.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Frágeis

[sugestão de acompanhamento PLAY]

Não culpo se já tentou, se já pensou, se logrou, se falhou...
Não culpo se já se trancou por dentro com medo ou desgosto do que há por fora.
Não há culpados, porque como estamos, já não há pecados...

Dizem que a depressão é o mal do século. Não creio.
Dizem que estamos menos felizes. Não creio.
Dizem que estamos mais cínicos. Não creio.
Dizem que talvez já não haja amor. Não creio

Estamos frágeis.
E é tudo o que somos.
Crianças brincando sob o julgo de regras superpostas.
Certo ou Errado?

Estamos frágeis.
E é tudo o que temos.
Convicções, superstições, religiões
Bem ou Mal?

Somos frágeis.
E é tudo que podemos saber...
Não há verdade no refletido.

Vivo ou Morto?