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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Desordem Emocional

Eu que acreditava em quase tudo, já não me importo com quase nada. É deplorável, mas quem disse que não nos massacra a realidade, nunca a viveu de verdade... Louco ou santo? Já nem sei dizer... Qual a medida da loucura? Estar, horas tardias, amargando verdades malditas? Doer, poros e sentidos esclerosados ao sopro sôfrego da tormenta surpresa? Desejar que em um abraço se caiba por inteiro, mesmo que faltando partes?

Canso de ser eu mesma com uma frequência cada vez menos ininterrupta. Mas quem mais posso ser? Uma representação medíocre de mim?

 Me embriago com as palavras fermentadas, os devaneios de uma vida quase sempre fantasiada. Tempo, a lembrança austera das horas passadas, centenas de experiências ignoradas. O excêntrico do real: quando tudo é tão superficial que só basta conhecerem-te o virtual... solidão, uma falta de motivos e ainda assim, tudo é sentido. Impotência, a dor que se apodera nos momentos de distração, horas inoportunas em que fazem companhia, apenas, pensamentos e má ou boa música.


(em parceria com Masquerade/ Foto: Kyle Thompson)

terça-feira, 27 de maio de 2014

Poema às 22:00 horas







 Poema às 22:00 horas  

 Que poderia ser qualquer hora outra

 O desespero seria o mesmo de sempre,

 Mas às 22:00 horas olhei o relógio 

 E o mal-estar de ter a existência

 Guiada por ficções me bateu à porta.

 Que são as estrelas que avistamos no céu?

 Senão o brilho passado de algo que talvez já não é.

 O que é o tempo a nos espreitar em cada batida do relógio?

 Senão um ilusório prelúdio do fim. 

 Ah, sou um emaranhado de coisas por fazer!

 Tenho empilhado tudo no canto da parede

 Assim como tenho feito com a vida.  

 Pulando sonos, sonhos, banhos, amores...

 Por vezes, pulando de mim mesmo.

Céus! Já não são mais 22:00 horas.

Daqui a pouco não será mais o mesmo dia?

Às 22:00 horas ou qualquer hora outra,

Tudo continuará empilhado no canto da parede.