quarta-feira, 2 de abril de 2014

PARADOXO


O universo cabe no meu quarto. Nesse momento um milhão de vozes ecoam na minha cabeça. Fico pensando onde elas se esconderam durante o dia todo, talvez estivessem dormindo esperando a hora em que eu entrasse no quarto e fechasse a porta, para só então acordarem todas de uma vez.  E lá se vai mais uma noite insone atormentada por pensamentos. Sinto-me como uma lâmpada acesa cercada por insetos.Penso no efeito antes da causa de algumas coisas, como no dia que sonhei que você vinha falar comigo e acordei triste. Nunca tive sonhos premonitórios, por isso, nunca esperei muito deles, mas, confesso, nem sempre foi assim.  Eis o motivo da minha tristeza: um grande acúmulo de sonhos frustrados. Tenho a impressão de que os sonhos ruins não são tão aterrorizantes quanto os sonhos bons. Quando você surgiu do nada e veio falar comigo, todas as circunstâncias do sonho se materializou.  Eu, que até então me escondia atrás do ceticismo, fiquei assustada como se tivesse levado um grande soco na cara.  Você em pé perguntando coisas que eu já tinha ouvido você falar, usando as mesmas roupas que você já tinha vestido e indo embora do mesmo jeito ébrio ante a minha inércia. Os sonhos deveriam mesmo servir para alguma coisa. O efeito antes da causa altera a ordem natural. Se não fosse a surpresa do sonho premonitório, certamente você não teria ido. Não há nada o que se fazer, não é possível viajar pelo tempo e alterar o que já se foi perdido.