sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Viúva-negra
Preso em sua teia de cabelos
Enrolado em fios dispersos
Sua ampulheta escorre areia
Vermelha
Me aproximo para tentar a cópula
Mas você me mata
Esporadicamente
Viúva-negra de sangue frio
Tenho vontade de fugir
Esporadicamente
A ampulheta gira
Tudo recomeça
Não sei se sou eu que
Morro por você
Ou se é você que
Mata por prazer
Esporadicamente
Parece ser uma coisa
Ou outra
Quase sempre
É sangue desperdiçado
A ampulheta gira
Há cada vez menos
Areia
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Lady “sara’at”
Quem assistirá ao
espetáculo de tua morte?
-Morte? A multidão
se aproxima com sacos
de amendoins e
pipocas
Não há salvação!
O nascimento - o
milagre da vida?
Vida num corpo
morto – peso de papel!
Não sou a droga
de um milagre ambulante.
Sou como uma taça
de vidro estilhaçada,
como um dente de
leão que alguém soprou:
degredo de mim
mesma.
Juntar as partes?
– impossível!
Não há milagre
nisso.
Ferida por deus e
condenada a encontrar
partes que também
se perderam
Mas são apenas
corpos cortantes é frágeis
que se fundem e
novamente se quebram.
E há uma terrível
perfeição nisso tudo.
E há beleza na
imperfeição disso tudo.
Ah, estou
humanamente cansada
que sento e espero
por migalhas,
tal como um cão.
Me banhei sete
vezes e me sinto suja.
Lady “sara’at”
- ah, se ao menos tivesse
meu
Jordão!
Mas
trago sempre na manga a cartada final:
O
momento em que as cortinas se fecham.
sábado, 18 de outubro de 2014
Por que o galo canta antes do nascer do sol?
Aniquilar-se em
cada batida do relógio
-a noite, esta
desbravadora de sonhos inúteis e perdidos
o galo canta e não
são nem três horas,
como essência
musical de minhas noites tristes
O pôr-do-sol
lindo e brutal sob as águas calmas e negras
-eu me afoguei,
despida a alma e corpo
Você me
salvou,mas logo era dia
Retorno ao mesmo
corpo e ao mesmo grito
Idêntica mulher,
mas sem as mãos salvadoras
Há um preço a
ser pago por tocar minhas cicatrizes
Meu coração
bate, afinal
ele é de sangue e
não de referências
o escambo de
corpos não dura sequer uma noite
o escambo de almas
marca uma vida
Você fuça e
atiça, mas há apenas ausência
Escuta, eu existo!
Ideias não são
feitas de carne, ossos e filamentos.
Escuta, eu existo!
O galo canta e não
são nem quatro horas.
O sol nasceu e o
galo não cantou.
domingo, 28 de setembro de 2014
no caminho do trabalho
Assim você percebe a pessoa pelo
tipo de trabalho: desempenho sem emoções. o serviço faça não pelo dinheiro, mas
porque você ainda insiste em viver sua vida medíocre e estúpida. A pior comida
possível: não há vontade de comer, apenas obrigações. Horários. Não bastasse tudo, a porra da trepada é infeliz. Uma preocupação com cada detalhe insignificante que te
mata todos os dias e destrói o restante do teu sorriso besta.
domingo, 21 de setembro de 2014
Carne, osso e outras Peles
Dispa o véu
de minha carne intocada
até os meus ossos doem, diria
por falta de melhor definição
o meu algoz não é a morte
mas os braços de quem eu a encontro
malditos braços
malditas pernas
malditos cabelos
Morrer é tão grandioso e banal
meus joelhos não são dobráveis
- que falso!
Olá, Deus! Você está ai?
...
Olá, Espíritos! Vocês estão ai?
...
Olá?
...
O meu silêncio não é conformado
corta minha carne como navalha
Não tenho sete vidas
-eis a minha glória
Não tenho sete vidas
-eis o meu tormento
Mantenha-se sã, dizem
durmo
Ao abrir os olhos a realidade é
opaca
Ao fechar os olhos a realidade é
alheia
Carne, osso e
outras peles
a morte e o vestido no guarda-roupa
o que ela usará?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
a maldição de Prometheus
o tempo é um longo inalcançável pra coisas urgentes, mas, de perto, as horas parecem passar lentamente num eterno enfado.
domingo, 7 de setembro de 2014
Te dedido estas notas como quem atira pedras
Há uma força obscura por trás de toda sensibilidade. O choro alto e ressentido que explode em seus ouvidos e você só deseja que ele cesse, mas o maldito lamento continua como quem tateia às cegas um consolo qualquer, mesmo que seja o cansaço do corpo e mente vencidos. Não, não quero consolar ninguém! Poderia se afogar em seu mar de lágrimas que eu nada faria. Não sei nadar. A boca mal(dita), o choro mal(dito), o seu desconforto de estar existindo num corpo que se arrasta rumo a condenação de sua própria história. Sinto-me humanamente cansada que poderia disparar o gatilho bem na sua cabeça, só para não mais ter que ouvi-la. Não são palavras belas, são palavras cansadas que não têm
forças nem para chegar aos seus ouvidos. Estais fadada a viver presa
dentro do maldito sino da igreja que toca todos os dias às quatro e meia
da tarde, lembrando-te que os dias passam apesar de nada mudar, assim
como não voltou o namorado que foi para São Paulo cheio de promessas,
mas a foto antiga dele no guarda-roupa e o maldito sino da igreja estão presentes para não te deixar esquecer. Será que choras também por ele? Você é toda lágrimas e desespero, compreendo, mas não quero saber de nada disso. Não sou uma garota inofensiva, tenho os meus demônios. É preciso dizer adeus, mas antes faço-lhe um chá.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Pedra transtornada
Ligo a tv. nesse exato momento uma psiquiatra sendo entrevistada. tema suicídio. há mais mortes por causa de suicídio do que por homicídios. é só esse dado que me interessa no momento. me veio agora uma dúvida se aquela garota que conheci se matou ou não. ela não existe nas redes sociais e nem em lugar nenhum. também não importa. mas queria mesmo saber o que ela anda fazendo agora. nunca senti uma cumplicidade tão íntima com nenhuma pessoa que não fosse ela. eu nunca lhe disse sequer uma palavra diretamente. bom dia. nada. ainda assim lhe sou eternamente grato. um covarde patife eu sou. a vida é assim. um tiro. e quem morre é o projétil. uma bala perdida atirada a esmo. por quem não importa. agora a psiquiatra da tv explica porque Robin Williams se matou. por vergonha. por não assumir a depressão. tudo tem que ter uma explicação. queria ter essa confiança e certeza com o que penso. essas pessoas que acreditam tanto em uma posição política. o governo vai resolver. invejo essas certezas. tenho que parar com esse péssimo hábito de querer que os outros deixem de acreditar em qualquer bobagem. mas a tolice é minha de não. pedra. nada atravessa a pedra a não ser que a quebre. que a destrua. a vida é dinâmica, líquida e não se importa com as coisa inflexíveis. não deixo nada entrar nem sair. assim me preservo e me destruo sozinho. mudei o canal e já faz tempo. por que tenho esses pensamentos. não estou inventando moda nem nada. tento reproduzir o que me vem à cabeça. é assim que penso. pensamentos sem a menor concatenação. pior só mesmo os meus sonhos que nunca lembro. e se me lembro deles esqueço logo em seguida porque não fazem o menor sentido. só lembro que sonhei com tal pessoa ou com isso ou aquilo. faz tempo mas eu me lembrava dos sonhos e eles tinham até algum sentido. eu sou louco sim não vou tirar sua razão. "Se têm a verdade, guardem-na". e é essa falta de qualquer coisa que me incomoda. esse não pertencimento. esse trajeto mal traçado. cada vez vivo mais sozinho. por opção. não sei. só sei que estou só. não tenho mais paciência para representações. espero o tempo passar com o menor sofrimento. cuidar da saúde. "A minha alucinação é suportar o dia a dia". o resto. e o resto. não é falta de trepar o motivo pelo qual eu estou falando essas asneiras. não é apenas isso. essa fuga de não fazer exatamente o que os meus cromossomos me obrigam. o que a sociedade me obriga. o que eu mesmo me obrigo. só queria mesmo trocar uma ideia com aquela garota e perceber que não tinha nada a ver e era só delírio da minha mente transtornada. o mundo na minha mente não é o mundo. tenho consciência dessa falibilidade. e mesmo assim é inevitável. possibilidades. diálogos inventados. inexistentes. já sonhei várias vezes que morri. senti uma dor horrível, um aperto no peito. espero que não seja porque tenho algum problema no coração e ainda não resolvi voltar ao cardiologista. faz dois anos isso. a mente de um homem louco funciona assim. eu não sou louco. ainda. queria ser para poder criar um mundo inexistente e viver nele com convicção de estar existindo. há homens que não nasceram para viver muito tempo. e são condenados por pensarem o que não deveriam. não adianta mais. isso não se resolve nem quero que se resolva e eu sobreviva dopado. só queria ser um homem simples. gosto das coisa simples. tenho uma personalidade difícil. falo o que penso. falo besteira. sou inconsequente. quanto mais filtro mais falta de sinceridade. se estou só é por amor ao próximo. escolhi destruir somente a mim. e me deixe sozinho. sou de companhia mas me deixe sozinho. Digo adeus e não se esqueça. não leve nada meu. por favor.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Desordem Emocional
Eu que acreditava em quase tudo, já não me importo com quase nada. É deplorável, mas quem disse que não nos massacra a realidade, nunca a viveu de verdade... Louco ou santo? Já nem sei dizer... Qual a medida da loucura? Estar, horas tardias, amargando verdades malditas? Doer, poros e sentidos esclerosados ao sopro sôfrego da tormenta surpresa? Desejar que em um abraço se caiba por inteiro, mesmo que faltando partes?
Canso de ser eu mesma com uma frequência cada vez menos ininterrupta. Mas quem mais posso ser? Uma representação medíocre de mim?
Me embriago com as palavras fermentadas, os devaneios de uma vida quase sempre fantasiada. Tempo, a lembrança austera das horas passadas, centenas de experiências ignoradas. O excêntrico do real: quando tudo é tão superficial que só basta conhecerem-te o virtual... solidão, uma falta de motivos e ainda assim, tudo é sentido. Impotência, a dor que se apodera nos momentos de distração, horas inoportunas em que fazem companhia, apenas, pensamentos e má ou boa música.
(em parceria com Masquerade/ Foto: Kyle Thompson)
quarta-feira, 11 de junho de 2014
permanência vazia
Lembro do garoto que passou
a vida inteira num hospital, enquanto sinto ódio, ele apenas ri. Penso em suas pinturas e escrita e isso talvez pudesse me
fazer sentir mais que seus olhos alegres: apenas lágrimas mornas que vertem de um coração frio.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Autocensura
[sugestão de acompanhamento PLAY]
Estaria em seus braços,
se me fosse permitido.
Imprimiria na memória sua essência,
se me fosse permitido.
Desbravaria cada nuance de seus olhos,
se me fosse permitido.
Ah, se me fosse permitido!
Abandonaria o medo e te faria meu.
E seríamos por inteiro.
Estaria em seus braços,
se me fosse permitido.
Imprimiria na memória sua essência,
se me fosse permitido.
Desbravaria cada nuance de seus olhos,
se me fosse permitido.
Ah, se me fosse permitido!
Abandonaria o medo e te faria meu.
E seríamos por inteiro.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Poema às 22:00 horas
Poema às 22:00 horas
Que poderia ser qualquer
hora outra
O desespero seria o mesmo
de sempre,
Mas às 22:00 horas olhei
o relógio
E o mal-estar de ter a
existência
Guiada por ficções me
bateu à porta.
Que são as estrelas que
avistamos no céu?
Senão o brilho passado de
algo que talvez já não é.
O que é o tempo a nos
espreitar em cada batida do relógio?
Senão um ilusório
prelúdio do fim.
Ah, sou um emaranhado de
coisas por fazer!
Tenho empilhado tudo no
canto da parede
Assim como tenho feito
com a vida.
Pulando sonos, sonhos,
banhos, amores...
Por vezes, pulando de mim
mesmo.
Céus! Já não são mais 22:00
horas.
Daqui a pouco não será mais o
mesmo dia?
Às 22:00 horas ou qualquer hora
outra,
Tudo continuará empilhado no
canto da parede.
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