terça-feira, 27 de maio de 2014

Poema às 22:00 horas







 Poema às 22:00 horas  

 Que poderia ser qualquer hora outra

 O desespero seria o mesmo de sempre,

 Mas às 22:00 horas olhei o relógio 

 E o mal-estar de ter a existência

 Guiada por ficções me bateu à porta.

 Que são as estrelas que avistamos no céu?

 Senão o brilho passado de algo que talvez já não é.

 O que é o tempo a nos espreitar em cada batida do relógio?

 Senão um ilusório prelúdio do fim. 

 Ah, sou um emaranhado de coisas por fazer!

 Tenho empilhado tudo no canto da parede

 Assim como tenho feito com a vida.  

 Pulando sonos, sonhos, banhos, amores...

 Por vezes, pulando de mim mesmo.

Céus! Já não são mais 22:00 horas.

Daqui a pouco não será mais o mesmo dia?

Às 22:00 horas ou qualquer hora outra,

Tudo continuará empilhado no canto da parede.

Um comentário:

  1. Nessas horas pensamentos como "amanhã é outro dia" ou "nada como um dia após o outro" de nada adiantam. Porque o dia vai virar mas a pilha vai continuar lá. Vai ver é pra ela estar lá mesmo, e o foco é que deve ser mudado. Vai ver né... Até que um dia (aquele dia), por algum motivo, as mangas são arregaçadas e você move a locomotiva da ocasião.

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