quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Lady “sara’at”

Quem assistirá ao espetáculo de tua morte?
-Morte? A multidão se aproxima com sacos
de amendoins e pipocas
Não há salvação!
O nascimento - o milagre da vida?
Vida num corpo morto – peso de papel!
Não sou a droga de um milagre ambulante.
Sou como uma taça de vidro estilhaçada,
como um dente de leão que alguém soprou:
degredo de mim mesma.
Juntar as partes? – impossível!
Não há milagre nisso.
Ferida por deus e condenada a encontrar
partes que também se perderam
Mas são apenas corpos cortantes é frágeis
que se fundem e novamente se quebram.
E há uma terrível perfeição nisso tudo.
E há beleza na imperfeição disso tudo.
Ah, estou humanamente cansada
que sento e espero por migalhas,
tal como um cão.
Me banhei sete vezes e me sinto suja.
Lady “sara’at” - ah, se ao menos tivesse
meu Jordão!
Mas trago sempre na manga a cartada final:
O momento em que as cortinas se fecham.