domingo, 21 de setembro de 2014

Carne, osso e outras Peles

Dispa o véu 
de minha carne intocada 
até os meus ossos doem, diria 
por falta de melhor definição 
o meu algoz não é a morte 
mas os braços de quem eu a encontro 
malditos braços 
malditas pernas  
malditos cabelos 
Morrer é tão grandioso e banal 
meus joelhos  não são dobráveis  
- que falso! 
Olá, Deus! Você está ai? 
... 
Olá, Espíritos! Vocês estão ai? 
... 
Olá? 
... 
O meu silêncio não é conformado 
corta minha carne como navalha 
Não tenho sete vidas 
 -eis a minha glória 
Não tenho sete vidas 
 -eio meu tormento                              
Mantenha-se sã, dizem  
durmo 
Ao abrir os olhos a realidade é 
opaca 
Ao fechar os olhos a realidade é 
alheia 
Carne, osso e  
outras peles 
a morte e o vestido no guarda-roupa 
o que ela usará?

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