Há uma força obscura por trás de toda sensibilidade. O choro alto e ressentido que explode em seus ouvidos e você só deseja que ele cesse, mas o maldito lamento continua como quem tateia às cegas um consolo qualquer, mesmo que seja o cansaço do corpo e mente vencidos. Não, não quero consolar ninguém! Poderia se afogar em seu mar de lágrimas que eu nada faria. Não sei nadar. A boca mal(dita), o choro mal(dito), o seu desconforto de estar existindo num corpo que se arrasta rumo a condenação de sua própria história. Sinto-me humanamente cansada que poderia disparar o gatilho bem na sua cabeça, só para não mais ter que ouvi-la. Não são palavras belas, são palavras cansadas que não têm
forças nem para chegar aos seus ouvidos. Estais fadada a viver presa
dentro do maldito sino da igreja que toca todos os dias às quatro e meia
da tarde, lembrando-te que os dias passam apesar de nada mudar, assim
como não voltou o namorado que foi para São Paulo cheio de promessas,
mas a foto antiga dele no guarda-roupa e o maldito sino da igreja estão presentes para não te deixar esquecer. Será que choras também por ele? Você é toda lágrimas e desespero, compreendo, mas não quero saber de nada disso. Não sou uma garota inofensiva, tenho os meus demônios. É preciso dizer adeus, mas antes faço-lhe um chá.
Nenhum comentário:
Postar um comentário