domingo, 7 de setembro de 2014

Te dedido estas notas como quem atira pedras

Há uma força obscura por trás de toda sensibilidade. O choro alto e ressentido  que explode em seus ouvidos e  você só deseja que ele cesse, mas o maldito lamento continua como quem tateia às cegas um consolo qualquer, mesmo que seja o cansaço do corpo e mente vencidos. Não, não quero consolar ninguém! Poderia se afogar em seu mar de lágrimas que eu nada faria. Não sei nadar.  A boca mal(dita), o choro mal(dito), o seu  desconforto  de estar existindo num corpo que se arrasta rumo a condenação de sua própria história. Sinto-me humanamente cansada que poderia disparar o gatilho bem na sua cabeça, só para não mais ter que ouvi-la. Não são palavras belas, são palavras cansadas que não têm forças nem para chegar aos seus ouvidos. Estais fadada a viver presa dentro do maldito sino da igreja que toca todos os dias às quatro e meia da tarde, lembrando-te que os dias passam apesar de nada mudar, assim como não voltou o namorado que foi para São Paulo cheio de promessas, mas a foto antiga dele no guarda-roupa e o maldito sino da igreja estão presentes para não te deixar esquecer.  Será que choras também por ele? Você é toda lágrimas e desespero, compreendo, mas não quero saber de nada disso. Não sou uma garota inofensiva, tenho os meus demônios. É  preciso dizer adeus, mas antes faço-lhe um chá.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

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