Salvou-se por um triz,
Quando entrou pro teatro
E decidiu ser atriz.
Antes disso, depressiva,
Cometia assassinatos:
Mãe, pai, marido, amante,
Todos esfaqueados.
Mas calma... muita calma:
As mortes eram só na alma.
Beatriz possuía, de certo,
Uma faca imaginária
Para matar no coração
Os espinhos das flores
Cravados nas coronárias.
Dizem também que Beatriz
Salvou alguém por um triz,
Quando amou um desolado,
Desses que andam na rua
Desses que ninguém nota.
Como o fez? É simples...
Bateu-lhe a fechada porta
Insistentemente...
Até que um dia bonito
Surgiu
E ela deu-se por nua
Com um estranho ao lado.
Beatriz amou-lhe o suor,
Amou-lhe também a sujeira,
Amou-lhe o torpor da alma
A fragilidade nos olhos;
Arrancou-lhe a roupa
Na embriaguez do momento,
Como loba no cio,
E lambeu-lhe todos os sonhos e
dores
Para limpá-los pra vida.
Ps: Para ouvir, se quiser, é claro:
Beatriz - Monica Salmaso
https://www.youtube.com/watch?v=PzoW5NxmWlc

Genial!
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